segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

..., pois bato asas, voando a voar:

(grafite de Kajaman. foto - Emerson Menezes)


Avoado voando


Ouso sonhar com braços
que não possuo.

Abusado, almejo asas
que não terei para farfalhar.

Às vozes que me açoitam
com violência, anseio por perdoar.

Querência das coisas, quererem-se perfeitas,
'inda que inéditas.

E assim, sigo a criar,
como quem se esconde pequenino,
nas nuvens ao luar.

Busco esclarecidamente carente,
que meus tolos murmúrios
se percam nesse viajar.

Sigo assim, sozinho e resoluto,
em tumulto nos desdobrares
do meu contínuo despetalar.


Um comentário:

confetes disse...

Quanto mais a gente se sensibiliza com certas coisas, mais a gente se sente sozinho...E está sozinho.
Adorei o seu blogue!

Beijo grande,

Rachel (amiga do Aruan).